Entrevista n. 2
Prof. Boxe Marcello Deodoro
Fev, 2013
![]() |
| Prof Marcello Deodoro, histórias de marujos e ringues |
Amigos,
Dando continuidade ao nosso blog SÓ CASCA! trago aqui uma conversa que tive com uma pessoa que possui grandes feitos em favor do Boxe Brasileiro. Talvez você, que não seja do meio do boxe, até não conheça-o, mas os trabalhos que implementou certamente já ouviu falar, como, por exemplo, os V Jogos Mundiais Militares, onde a participação do prof. Deodoro foi decisiva para o boxe e condicionante para medalhas olímpicas que vieram posteriormente. Diferente de outros mestres e professores de artes marciais, professor Deodoro, é um homem discreto, fala mansa e comedida, dá-nos quase a aparência de timidez, porém, ao ouvir suas histórias logo, logo constatamos um homem de determinação monstruosa. Nossa entrevista se deu numa calorenta manhã de fevereiro, tomamos café no Shopping da Tijuca, RJ, e falamos sobre muitos assuntos. Espero que apreciem nosso bate papo e COMENTEM!. Novamente renovo meus agradecimentos e a paciência franciscana do prof Deodoro em aguardar a transcrição do audio desta reportagem.
1. SÓ CASCA ! – Como o boxe entra na vida do Sargento Fuzileiro Marcello Deodoro?
2. MARCELLO DEODORO – A Marinha e o boxe chegaram talvez juntas em minha vida. A primeira vez que ouvi falar em boxe, foi meu pai, falecido, era militar da marinha, marujo, gostava de mencionar o treinamento na escola de aprendizes, um meio de soltar a pressão do treinamento militar, eu me divertia com as histórias dele. Sempre havia muitas. E você sabe como são as crianças, ainda mais se tratando de histórias que seu pai conta... depois o cinema completou minha paixão, personagens como o Rock Balboa, posteriormente acompanhei o surgimento do ídolo Mike Tyson sua ascensão. Na época que meu pai era vivo eu já prometia não só que seria marinheiro como também praticaria o boxe dentro da Marinha, meu pai alertava para nos meus sonhos o boxe não ser tanta coisa, porque na vida dos marujos seu papel era pequeno, praticamente uma recreação nos quarteis.
3. SÓ CASCA – Mas foi somente na Marinha que começou no boxe?
4. MACELLO DEODORO – Não, em 1987 comecei no boxe, fora da Marinha, pelas mãos do prof. Mendonça lá de Duque de Caxias. Ele tinha já na época uma visão muito abrangente do boxe e desde então despertou minha curiosidade para o boxe como um todo, de como o atleta deve se valorizar como um todo e não só tecnicamente. Ele mencionava as dificuldades do atleta profissional, a estrutura do boxe no Brasil, a rotina de se montar uma equipe. Abriu muitas fronteiras para mim. Ele fazia apresentações com o finado prof. Santa Rosa, eram torneios não oficias e eu participava, como boxeador amador. No início, aparentemente eu tinha receio de tomar aquelas pancadas, mas, fui tomei gosto pela coisa. O boxe me fez dar um upgrade em minha vida, dei um salto, um cara que era meio tímido, que falava “eu não posso” e no boxe você “pode” porque vai se superando a cada treinamento.
5. SÓ CASCA – na Marinha como foi ?
6. MARCELLO DEODORO – Em 1989 entrei para a marinha, fiquei um tempo no limbo, comprovando o que realmente meu pai afirmava, mas apesar das dificuldades iniciais, resolvi se não dentro, tentar uma equipe de boxe fora da Marinha. Para isso por volta de 2000 e 2002 entrei em contato com a Federação Estadual de Boxe do Estado do Rio de Janeiro – FEBRJ para fazer um curso, lá tive orientações e daí eu criei uma equipe, a Usina Boxe. Em 2003 sagrei-me primeiro colocado no curso de treinador da FEBRJ, ascendeu mais ainda a chama do boxe em mim.
7. SÓ CASCA – onde ficava esta equipe?
8. MARCELLO DEODORO - Essa equipe ficava no morro do Borel, sem querer nesse projeto, de forma meio acanhada fui tendo contato e fazendo amizade com várias pessoas do boxe. Fiz uns cursos com Peter Otãno, com o Paco Cubano que foi treinador da Seleção Brasileira de boxe de 2003 a 2006, cursos de preparação física, tudo para aperfeiçoar o meu treinamento e de meus alunos. Essa fase de participação em cursos e treinamentos fora da Marinha vai até minha participação como treinador no Clube Montanha, no Alto da Boa Vista Tijuca, RJ.
9. SÓ CASCA – Quando surge a participação nos Jogos Militares?
10. MARCELLO DEODORO – Por volta de 2008, a FEBRJ entrou em contato comigo para dizer que haveria nas forças um torneio esportivo de âmbito mundial, se referiam aos V Jogos Mundiais Militares de 2011. Mencionaram que um oficial (depois vim saber ser o comandante Oswaldo Guilherme SCHROETER) estava procurando a FBERJ para obter muitas informações sobre boxe, então o pessoal da federação como já conhecia o meu trabalho, alertou ao comandante que havia um sargento fuzileiro que era instrutor de boxe e ficaria mais fácil para ele obter orientação comigo. Pronto, aí foi à base de tudo. Pouco tempo depois estabeleci um longo contato com o comandante Schroeter que desde o início ele decidiu que eu poderia dar uma colaboração para o evento na área do boxe como treinador. Posteriormente essa minha colaboração também se desdobrou para a própria organização do evento.
11. SÓ CASCA – Antes de prosseguir o senhor poderia explicar para os leitores o que são os Jogos Militares Munidas?
12. MARCELLO DEODORO – Claro Os Jogos Mundiais Militares são um evento poliesportivo criado pelo Conselho Internacional do Esporte Militar e acontecem a cada quatro anos, sempre no ano anterior à realização dos Jogos Olímpicos. Começou em 1995 na Itália, na época foram cerca de 4.000 (quatro mil) atletas de 93 (noventa e três) países. É um evento importantíssimo não só para as Forças Militares Mundiais como para o esporte e também a economia dos países onde ela é sediada.
13. Só Casca – Certo e daí como boxe foi atribuído a Marinha se o senhor afirmou que ele estava confinado ao papel de recreação de marujos?
14. MARCELLO DEODORO – Com os Jogos Militares as coisas não seriam mais as mesmas. De fato, anteriormente o boxe não era estruturado, desde 1917, era pura e simplesmente uma forma dos marujos extravasarem o estresse. Havia uma previsão de que além do boxe, o judô, o taekwondo e a esgrima seriam os esportes de combate do V Jogos Mundiais Militares, contando com essas atividades esportivas, tínhamos no total eram 21 modalidades e elas seriam fatiadas entre as forças armadas, ou seja, cada uma ficaria com sete. O fato de ser uma mera tradição esportiva entre os Marujos e que as outras forças não tinham ninguém qualificado para assumir o treinamento dos atletas foi suficiente para que no rateio das modalidades esportivas, o boxe ficasse com a Marinha.
15. SÓ CASCA – De fato não havia mesmo nenhum lutador, treinador que pudesse assumir a responsabilidade pelo boxe?
16. MARCELLO DEODORO - Até onde pude comprovar em 2008, os militares que haviam trabalhado ou tinham alguma experiência no boxe dentro da Marinha, não estavam mais na ativa, por outro lado, havia outros que até era atletas de boxe, mas não tinham como comprovar cursos, diplomação, enfim reconhecimento de entidades oficiais como a FBERJ, naquela época eu já tinha tudo isso, deu credibilidade para mim no projeto e confiança a Marinha, através da pessoa do Comandante MIRANDA, para assumir a responsabilidade do boxe perante o Exército e a Aeronáutica.
17. SÓ CASCA – Como foi então o seu trabalho de treinamento da equipe?
18. MARCELLO DEODORO – O comandante Miranda foi responsável EM INTERMEDIAR com o Comitê de Planejamento Operacional (CPO) nos V Jogos Mundiais Militares, em conversa com ele afirmei que se era realmente para eu contribuir faria isso a fundo. Além de missão como militar eu encarei aquilo como o desafio de minha vida, daí por minha própria sugestão, meu ingresso no Centro de Educação Física Adalberto Nunes, na av. Brasil, subúrbio do Rio de Janeiro. Este centro nucleia todas as atividades esportivas da Marinha - CEFAN. Só assim eu poderia realmente colaborar, porque eu trabalhava num Batalhão Operativo e lá eu não poderia ter tempo nem muito menos as ferramentas para desenvolver o trabalho. O problema é que lá não tínhamos equipamentos e atletas para realizar o treinamento. Comandante Miranda observou o quê foi feito em outros países e resolveu adotar modelos vitoriosos, como o Italiano. Há muitos anos eles contratam atletas militares, participam da formação inicial, recebem uniformes e ingressam na vida militar como atletas. Então visando compor os quadros dos V Jogos Mundiais Militares foram abertos concurso através de editais para contratação de atletas de alto rendimento, neste concurso vieram: SARA MENEZES (ouro em 2012); DIOGO SILVA, enfim atletas quem ingressaram em 2009 e fizeram sucesso nas Olimpíadas de 2012. Desses atletas que foram recrutados, cerca de nove ficaram até hoje na Marinha, à exceção FELIPE MOLEDAS, e CLEBER DE OLIVEIRA. Nesse gancho eu trouxe EVERTON LOPES (Campeão Mundial pelas 64 kg); ROBENILSON DE JESUS; ROBSON CONCEIÇÃO; PEDRO LIMA (campeão pan-americano). De modo que o trabalho que eu fiz inicialmente com o professor Mendonça chegava até ali.
19. SÓ CASCA – Então na verdade os boxers da Marinha vinham todos de fora da caserna?
20. MARCELLO DEODORO – Não, estes que foram contratados eram como matrizes do grupo, havia ainda outros atletas já integrantes desde sua origem não só da Marinha como das outras Armas. É importante esclarecer que o fato da Marinha ser a incumbida de treinar os atletas de boxe nos V Jogos Mundiais Militares, isto não impedia que militares do Exército ou da Aeronáutica pudessem participar desta modalidade esportiva na competição. Tínhamos a premissa básica de que o guerreiro tinha que ser aproveitado, fosse ele da força que estivesse, organizando a modalidade esportiva ou não. Assim, um soldado do exército habilitado no boxe não era impedido de treinar no CEFAN que era organizado pela Marinha. Enfim, a divisão nas Forças Armadas Brasileiras para os V Jogos mundiais Militares foi de gestão, o guerreiro iria representar o Brasil e não uma força específica, o importante era ser o melhor atleta militar, não importava a cor de sua farda.
21. SÓ CASCA – Como vimos esses atletas depois foram vitoriosos até mesmo fora dos V Jogos Mundiais Militares, como a Sara Menezes (ouro em 2012), outros frutos foram colhidos pelo boxe graças às sementes lançadas pelo seu trabalho nesse evento esportivo?
22. MARCELLO DEODORO – Claro ! São inúmeros, porém vou lhe citar um que certamente ainda terá consequências enormes não só para Marinha como para o boxe no Brasil. Lá no CEFAN havia tradicionalmente um torneio chamado ÁREA RIO, com equipes representativas de diversos quarteis da Marinha. Nele competem anualmente atletas marinheiros de taekwondo, vôlei, futebol, e várias outras modalidades. Só que não havia o boxe, mas em 2009 assessorei a Marinha para que o boxe integrasse o torneio. Enfrentamos também problemas, como quem vai competir e os técnicos? Para isso foi necessário todo um trabalho, criamos um estágio de técnicos militares de boxe, formei 13 técnicos, com oito equipes que competem anualmente desde 2009, geralmente novembro. Foi muito gratificante ter realizado esse trabalho e sem sombra de dúvida, não é exagero, haver oficialmente nos quadros da Marinha esse torneio de boxe, o Área Rio, tem consequências enormes para o boxe no Brasil, mais gente treinando, mais recursos, mais espaço para o esporte.
![]() |
| detalhe prof Marcello Deodoro durante entrevista |
23. SÓ CASCA –Em 2008 o senhor já era recomendado pela própria FBERJ para tratar de boxe e hoje?
24. MARCELLO DEODORO – Hoje, graças ao trabalho que fiz nos V Jogos Mundiais Militares e os que venho dando seguimento no CEFAN, o boxe nas Forças Armadas Brasileiras está associado ao meu nome. Não só lá, acredito que tenho importância no boxe brasileiro, ao menos acesso tenho acesso aos principais canais. Mantenho amizade com inúmeras equipes, vou aos jogos abertos em São Paulo, tudo o que você falar de boxe no Brasil eu conheço, atuo não só como treinador, também como árbitro, sou formado pelo Carlão Barreto, Paulo borracha, finado Paulo Rogério.
25. SÓ CASCA – Seu negócio é somente o boxe?
26. MARCELL DEODORO – Minha vida é o boxe, todavia isto não me afasta de outros esportes de combate, estou atento a todos. Por exemplo, sou classificado como árbitro profissional de MMA. Em 2012 já participei de três eventos de Nelsinho Monstro, em Barra do Pirai.
27. SÓ CASCA – Que eventos são estes?
28. MARCELLO DEODORO - Monster Fighter, Gladiator Fighter, bons eventos, sou árbitro também de Muai Thay, minha vida é isso eu concilio minha carreira militar com o boxe. Há pessoas, minoria, que me criticam e cobram minha atuação somente no boxe, chegaram até me acusar de indecisão, mas acho uma visão equivocada, é importante sim, especialmente para as lutas que têm alguma afinidade com o boxe, aquelas de trocação, soco. Eu não tenho restrição com outras artes marciais ou muito menos com outras academias. Levo o Corpo de Fuzileiros da Marinha para treinar na Academia Delfim, nos eventos da Federação e da Confederação Brasileira de Boxe, vou a campeonato brasileiro. Fiz cursos e estou atento, não para mudar, porém para conhecer e saber o quê está acontecendo.
29. SÓ CASCA – Se olharmos o passado, é talvez fácil constatar que os esportes de combate têm o seu momento, quer dizer, são moda. Foi assim o karatê, o jiu-jitsu, agora o MMA, como foi na verdade o próprio boxe, o senhor concorda?
30. MARCELLO DEODORO - O boxe fala por si só. Ele é uma coisa secular, ele não tem que ser associado ao MMA, quando você fala no MMA é uma mistura de artes marciais, e quando fala em boxe fala em regras, com dois referenciais, profissional e olímpico. O MMA hoje tem a representatividade que tem por causa do marketing, soube aproveitar mais ainda que o próprio boxe. O boxe no Brasil é fraco no que diz respeito a essa divulgação, não há revistas, não há mídia fazendo o quê faz com MMA. Há sim uma indústria na mídia para divulgar o MMA, 24 horas, o tempo inteiro falando e vendendo, fustigando o MMA, o tempo inteiro, para que ele não fique esquecido, como se alguém ficasse dizendo o tempo inteiro “mma, mma, mma...” . Ele é sem dúvida importante, mas o boxe não é menos importante.
31. SÓ CASCA – Vamos agora falar de um assunto tratado com estrondoso silêncio nesses meios de comunicação que como o senhor diz “fustigam” o MMA o tempo inteiro nas mídias: Por que há uma diferença tão grande nas bolsas dos lutadores de boxe e do MMA ?
32. MARCELLO DEODORO – A coisa é realmente contraditória porque no MMA as empresas que ficaram responsáveis por captar recursos, descentralizaram isso, e conseguem muito mais dinheiros que o próprio boxe, e mesmo assim, há exemplos absurdos. Veja, Mike Tyson na época de ouro chegou a receber U$ 30 milhões de bolsa por luta, Jr Cigano ganhou U$ 400 mil dólares na luta em que perdeu o cinturão em 2012. Quatrocentos Mil dólares não são pouca coisa... mas se comparados a 30 Milhões ... Eu posso até concordar com o que você diz que os lutadores de MMA (os empregados) não têm a organização e o poder de barganha que possuem os lutadores de boxe através de seus empresários. Veja, não sabemos o contrato que Dana White tem com seus lutadores. Se você não se adequar a realidade de seu trabalho, não tiver outra opção para ganhar melhor, o negócio é baixar a cabeça, admitir... enfim é uma empresa o patrão diz não interessa que ele ganhe um trilhão, você vai ganhar o que ele determinar, porque ele fez você chegar até lá, diferente do boxe onde há regras estatutos, como por exemplo, da Associação Internacional de Boxe Amador, há cargos eletivos e não vitalícios.
33. Só Casca ! – Por falar em patrocínio, como é ele no Brasil para o boxe?
34. Marcello Deodoro – O que posso te afirmar é que o boxe profissional no Brasil não dá tanto quando o Olímpico, o que também é muito contraditório porque o boxe Olímpico é amador, seu combate sua arbitragem é toda especial para proteger mais os lutadores que são considerados, ao menos hipoteticamente, amadores. Os combatentes lutam com proteções e a participação interventiva do árbitro para protegê-los é muito maior.
35. Só Casca ! – Desculpe, não entendi o que tem haver isso com o patrocínio?
36. Marcello Deodoro – Tudo. Os patrocinadores optam pelo esporte amador porque é ele que tem visibilidade nos jogos internacionais, já que não há público interno, mercado consumidor para o boxe no Brasil. Por isso no boxe amador você tem o patrocínio Petrobras, da Nissan, até mesmo as políticas públicas seguem esse rumo, temos o Bolsa Atleta do Governo Federal, temos situação dos militares no boxe, veja um atleta cabo ganha R$ 2100, um atleta militar soldado, R$ 1300. Salário de militar se ele ficar treinando. Tenho ainda um “as” na manga, que eu não posso falar, por ora, mas em breve haverá uma coisa muito melhor nas forças armadas. Então prosseguindo, o fato é que para o atleta brasileiro vale mais a pena ele ser amador que ser profissional. Se for boxeador profissional no exterior vale a pena, mas no exterior. Um atleta de boxe de ponta pode chegar até R$ 10.000 por mês, com soma dos patrocínios e o salário da marinha; já o boxeador profissional que só lute no Brasil não tenho ideia que esteja bem. Daí quando você vê um lutador amador no Brasil observa que eles são na prática profissionais, de alto rendimento, mas treinam na campo amador por haver mais estímulos. Eles são cobrados, têm que apresentar os resultados esperados, como um atleta profissional, se não conseguirem dá licença que a fila anda.
37. SÓ CASCA ! – No boxe nós temos a figura das organizações internacionais que regem os eventos, os torneios, além disso, cada lutador tem o seu empresário, que não é o mesmo que contrata o seu oponente nos ringues, o senhor não acha que no MMA, por não haver isso, fica comprometida a lisura da coisa?
38. MARCELLO DEODORO - Até onde eu observo não vejo problema, ali tem toda uma grade de profissionais, nos bastidores, que têm que honrar a posição deles. Desde médicos, preparadores físicos, treinadores até chegar ao lutador ou mesmo ao Dana White. Quando você tem lutas como a do Cigano, com cinco rounds, luta de monstro... até disseram que foi armação, mas qualquer um que ganhasse seria merecido. Independente de terem o mesmo patrão. Não devo nada ao Dana White ou a qualquer pessoa ligada ao evento, mas a coisa que ele faz é também exitosa porque ele é transparente, nos vemos na prática que não há armação. As coisas acontecem ali em tempo real, não há como editar. Você vê ali caras com a cara quebrada, costela, eu acredito na lisura da coisa, e olhe que eu sou uma pessoa bastante crítica, sou muito considerado no Corpo de Fuzileiros, e se tiver falar que não presta eu falo mesmo!
39. SÓ CASCA ! - Sabemos que no boxe há vários ídolos, Muhammed Ali, Sony Liston, George Foreman, Mike Tyson, e não podemos deixar de citar os nossos Eder Jofre, Popô, Maguila, e etc. Mas, o Tyson, ao mesmo tempo em que foi um ícone do boxe mundial, o triste episódio de seu julgamento por estupro de uma jovem além dele não prejudicou também o boxe no mundo. Parece que diminuiu o carisma do esporte?
40. MARCELLO DEODORO - Hoje nos estamos vivendo a fase do MMA, vai chegar uma hora e as pessoas não vão mais automaticamente assistir às lutas, como fazem hoje, elas vão dizer, “acho que vou ver”, tudo isso é uma fase... Já o Tyson sempre será uma grande lenda do boxe, ele foi muito importante, a partir dele os lutadores constataram que era muito importante não só treinar, mas estudar com seriedade a técnica do adversário. Até ali não se estudava a técnica dos lutadores, ele ficou tão em evidência que todos os lutadores passaram a estuda-lo, até que James Buster Douglas conseguiu fazer o Tyson andar par atrás, o que ninguém fizera até então. Os lutadores de MMA hoje em dia têm os treinadores, de boxe, de muai thay, de chão, fisioterapeuta, nutricionista, mas têm uma sala de vídeo para estudar a luta de seus adversários.
41. SÓ CASCA ! – Quem são os nomes e as promessas do boxe atualmente no Brasil?
42. MARCELLO DEODORO - A quem diga ser a grande promessa para as Olimpíadas no Brasil aqueles que foram medalha de ouro, prata e bronze agora nos Jogos Olímpicos de 2012. Pelo que acompanho, considero que nosso campeão ainda vai surgir, eu não apostaria em um nome em específico. Porque hoje no Brasil ainda estamos fazendo o que Cuba fez há décadas, escolas fechadas de boxe para formação, treino intensivo de grandes boxistas. Por exemplo, Everton Lopes, um grande talento, canhoto, joga nas duas guardas, tem uma visão de luta, parece que está brincando dentro do ringue, ele assimila quando não consegue desenvolver algo, se ele não consegue volta para o escanteio e se reordena. Hoje se você for verificar os novos torneios vê muitos bons atletas, com boa movimentação, bailando no ringue. Por isso não podemos subestimar, há muitos por aparecer aí de uma hora para outra, pode ser uma pessoa que você nem espera, porque os centros de treinamento estão se difundido em todo Brasil, há um para ser criado em Vitória, pela confederação, talvez uma garotada que poucos anos atrás jogava bola e nos treinos pode despontar, mesmo com pouco tempo de treino, talento, eis aí está tudo dito, talento. Mas isso não quer dizer que ele não precise ser lapidado, não é uma estrela, vai ter que treinar, ter disciplina, preparação física, elementos indispensáveis para formar um campeão. Não pode nunca o sujeito dizer que não precisa treinar.
43. SÓ CASCA ! Se alguém quiser algum treinamento ou alguma palestra ou mesmo entrar em contato com o senhor como fazer?
44. MARCELLO DEODORO – marcelloclaudio@uol.com.br /(21)99255627
45. SÓ CASCA ! O que é uma Casca para o senhor ?
46. MARCELLO DEODORO - Como fuzileiro naval, acredito que o casca corresponda ao espírito de nosso lema fuzileiro: “AD SUMUS”, que em latim quer dizer, grosseiramente “aqui estamos”, mas em termos mais abstratos significa PRONTIDÃO, CONFIANÇA, o fuzileiro é aquele que sempre está de prontidão, que sempre está e estará à disposição da Pátria, sob qualquer custo, qualquer risco. Se atingirmos um determinado nível é pela determinação, e ela não está só em querer, mas fazer que ela aconteça. Sempre haverá cansaço, falta de tempo, cobranças, porém é a determinação que fará a pessoa se superar. Se você quer você consegue. Minha história nas forças armadas com o boxe foi um pouco disso, sou muito orgulhoso de que fiz pelo boxe.


Nenhum comentário:
Postar um comentário