segunda-feira, 3 de junho de 2013

"As artes marciais fizeram com que eu conseguisse direcionar minha hostilidade e ser uma pessoa controlada, uma pessoa boa" Entrevista prof de muay thai Vavá Pinheiro

Entrevista n. 4
Prof. de Muay Thai Vavá Pinheiro
Maio, 2013

Vavá no seu novo CT
(clique nas imagens para ampliar)


Amigos,


Nesta quarta edição do Blog Só Casca ! Tive a alegria de entrevistar um experiente lutador que começou sua carreira na difícil época do surgimento dos "vale-tudo" na Cidade do Rio de Janeiro. Vavá, passou pelo boxe, pela luta livre ( aluno da grande lenda Eugênio Tadeu) e pelo Muai Thai. Em todas essas artes marciais se sagrou mestre e hoje é um experiente e carismático professor de cada uma delas. No intervalo de uma de suas aulas no novo Centro de Treinamento de sua Equipe Serpente Thai conversou com humildade, entusiasmo, e, sobretudo, falou um pouco de seu passado e de seus projetos atuais. Agradeço a todos da CT Serpente Thai que facilitaram a realização desta entrevista e a boa vontade de meu assistente de iluminação Bruno Albenaz.

detalhe do charmoso casarão que abriga o CT Serpente Thai na Rua Pedro Américo, Catete, Rio de Janeiro

1. SÓ CASCA ! - gosto sempre de iniciar a entrevista indagando sobre o primeiro contato, a primeira experiência na vida com as artes marciais, qual foi a sua? 
2.      VAVÁ PINHEIRO– Hoje eu sou preta de Muay Thai, preta de Luta Livre e treinador de boxe credenciado pela federação de boxe, então minha história com as artes marciais é antiga, é a história de minha vida, posso dizer que tudo começou na época em que eu era guia de cego, cuidava de um ceguinho...


3.      SÓ CASCA !- tinha quantos anos?

4.      Vavá Pinheiro– eu tinha uns 8 anos, os caras da naja já treinavam, Flávio Molina, mestre Narane, Luís Alves, lutadores de ponta, o treino deles era fechado. Toda vez que eu queria ver o treino, eu pedia ao Carlinhos cego, para eu ir ao banheiro ou inventava outra desculpa, para poder assistir ao treino desses caras, via tudo pela fresta da porta da academia.

Váva em uma de suas aulas de muai thay

5.      SÓ CASCA ! – onde era esse treino?

6.      Vavá Pinheiro– Era numa sobreloja ali no Catete, onde era a antiga Galeria Gambier, ali na esquina da Rua Almirante Tamandaré. Dali , anos depois, aos 16 anos fazia capoeira com o mestre Camisa, lá no Clube Santa Luzia.



7.      SÓ CASCA ! – fez muito tempo capoeira?

8.      Vavá Pinheiro– não, não foi muito tempo, logo em seguida eu me interessei em fazer o boxe. Minha trajetória no boxe começou quando conheci o sr Albano, hoje um senhor de uns 80 anos, ele me chamou para fazer boxe, me encantei e rapidamente aprendi alguma técnica. quando cheguei a um limite que não estava mais dando para treinar comigo busquei um novo treinador, o professor Marreta do Clube Santa Rosa. Foi interessante, na época, minha vida era uma dificuldade enorme, ganhava a vida como pintor, fazendo reforma em imóveis, pintor de paredes, e ainda assim conseguir juntar minhas economias e pagar minha primeira mensalidade. Cheguei lá todo animado, coloquei a bandagem nas mãos falei para o professor Marreta que gostaria de fazer boxe. Não sei porque, mas num primeiro momento ele não levou muita fé em mim, me olhou de cima abaixo e disse “tudo bem, vai ali e dá uns socos naquele saco”. Aí eu olhei para o saco e vi nele um inimigo monstruoso, me inspirando, pois alguma coisa já me dizia no meu interior que eu tinha que nos treinos mostrar empenho absoluto, garra e comecei a socar o saco como se minha vida dependesse disso.

as aulas do prof Vavá são frequentadas por todos, mulheres,

 por adolescentes e atletas de alto rendimento.

9.      SÓ CASCA ! – o que aconteceu?

10.  Vavá Pinheiro– O professor Marreta viu a minha motivação e ficou observando meus movimentos se aproximou e me perguntou se eu já treinava em alguma lugar, respondi-lhe que havia sido aluno do professor Albano, ele afirmou conhecer e em seguida fez outra pergunta “mas, qual é o seu objetivo no boxe?”, agora você imagina, eu com 16 anos, cheio de sonhos e energia, principalmente com a maior dificuldade para pagar aquela mensalidade, a resposta veio automática na “ponta” da língua: “quero ser um grande lutador” e aí ele ouviu aquilo não respondeu nada, não deu uma palavra, apenas pegou a manopla e começou a treinar comigo, foi conduzido meus golpes e visivelmente pareceu gostar de meu boxe. Já no primeiro dia e me pôs para fazer uma luva com um grande lutador dele o Eudes de Cabo Frio, tive o maior trabalho porque eu não tinha experiência de ringue, depois disso eu disparei.   Anos depois ainda cheguei a dar aula num trabalho social na comunidade Tavares Bastos no Bairro do Catete, Rio de Janeiro com o professor Marreta, nessa época eu já tinha sido certificado como treinador de boxe pela Federação Estadual de Boxe do Rio de Janeiro.


Rafael Costa, atleta recentemente graduado faixa preta pelo prof Vavá

Felipe Pereira, destaque do boxe da CT Serpente Thai

Jonas, um dos representantes da nova geração
treinada no CT Serpente Thai
11.  SÓ CASCA ! – e as lutas seguinte?

12.  VAVÁ PINHEIRO– em 1986 houve um campeonato na academia Santa Luzia para estreantes, entre 30 lutadores, fui o vencedor, tudo organizado pela Federação de Boxe. No boxe cheguei a ser campeão carioca e fui vice-campeão brasileiro, cheguei a lutar ao lado de grandes atletas como Lazário e o Mesquita na antiga TV Manchete, mas, tudo esbarrou na velha política do esporte que há também no boxe e existe até hoje. Guardo dessa época a técnica do Mesquita que era do Santa Rosa, me espelhei muito nele, o cara que lutava com ele dava 50 socos e não conseguia acertá-lo, era muito ágil na esquiva, no pêndulo. Hoje ele está na Paraíba, há pouco tempo um aluno dele esteve aqui e me entregou uma camisa que o professor Mesquita me enviou, tenho boas lembranças dele. Me espelhei muito também no Sugar Ray Leonard, até hoje eu procuro o boxe clássico, acho mais bonito que o olímpico, isso que tento mostrar para os meus alunos.

detalhe dos certificados do prof Vavá

13.  SÓ CASCA ! – Houve essa interrupção no boxe e aí o que aconteceu?

14.  VAVÁ PINHEIRO– Daí  fui para a Naja onde conheci  mestre PH e o pessoal da antigas. Como eu já possuía uma boa noção do boxe a coisa ficou mais fácil para mim. Comecei com o PH, mestre Ivan e fui conhecendo o resto do pessoal. Na própria  Naja vi pela primeira vez pessoalmente o mestre Eugênio Tadeu.



15.  SÓ CASCA ! – Como foi isso?

16.  VAVÁ PINHEIRO– O mestre estava num treino na Naja, mestre Eugênio Tadeu já era conhecido como grande campeão. Ele me viu chutando e batendo  o saco e perguntou ao mestre Narane “quem é esse rapaz aí”, eu tinha uns 17 anos dali pouco tempo depois ficamos amigos e eu comecei a  treinar também o chão com ele, apaixonei-me logo de cara pela luta livre. Cheguei a fazer  alguns  torneios de vale-tudo, na época havia uns torneios fechados entre o pessoal da luta livre e o do jiu-jitsu. Eu queria ser lutador de toda forma.

obra do próprio prof Vavá que orna uma das paredes do CT
17.  SÓ CASCA ! – o mestre Eugênio Tadeu ensinava onde?

18.  VAVÁ PINHEIRO– dava aula na Naja e treinava na Urca na SECAM e lá ele tinha aulas mais avançadas. ele foi meu segundo pai, ele que foi meu técnico, quem me instruiu verdadeiramente para a luta de chão .

mocinha simpática duríssima no muai thay
19.  SÓ CASCA ! – Enquanto tudo isso o que o senhor fazia trabalhava, estudava?

20.  VAVÁ PINHEIRO– Estudava com dificuldade, porque tinha que trabalhar. Tive uma criação difícil, sempre morei em comunidade.



21.  SÓ CASCA ! – Como assim criação difícil?

22.  VAVÁ PINHEIRO - Porque meus pais não apoiavam meus planos nas artes marciais. Eu não culpo-os por isso, naquele tempo não era como hoje, alguém querer ser lutador era visto não como uma profissão mas sim como um marginal. Então juntava a rejeição dos meus pais com meus planos de ser lutador  ao das pessoas que não eram do meio e diziam coisas do tipo “você não vai arrumar nada” , “vai quebrar a cara, se arrebentar todo” , tudo bem desestimulante.


o lema do CT é "treino duro, luta fácil"

detalhe do treino de muay thay

outro aluno destacado do prof Vavá

23.  SÓ CASCA ! – E essas palavras não lhe abatiam? não lhe faziam considerar outro futuro?

24.  VAVÁ PINHEIRO– Não. Porque estar no ringue por si só já me realizava, podiam dizer o que fosse, eu estava determinado que meu lugar era nos ringues.  Eu acho que , mesmo sem saber, tinha alguma consciência de que no ringue eu conseguia canalizar minha agressividade, no ringue por mais estranho que possa parecer eu estava em paz, conseguia controlar minha talvez minha revolta, se não fossem minhas atividades com as artes marciais eu provavelmente não estaria aqui conversando com você, eu não seria uma pessoa boa. As artes marciais fizeram com que eu conseguisse direcionar minha hostilidade e ser uma pessoa controlada, uma pessoa boa. As pessoas que me conheceram no passado sabem bem disto.

observando os treinos o que se nota a primeira vista é o perfeccionismo de Vavá

e o enorme carisma que ele mantém com seus alunos

25.  SÓ CASCA ! – Posso estar enganado, mas tenho a impressão que o senhor é mais conhecido ao menos entre os lutadores como professor de Luta-Livre, não é mesmo? O senhor já falou de muay thai, de boxe, mas me parece mesmo ser conhecido como alguém da luta livre.

26.  VAVÁ PINHEIRO– Verdade, apesar de minha experiência no boxe e no próprio muay thai ser anterior. Talvez isso se explique graças a minha grande convivência com o mestre Eugênio Tadeu e aí o pessoal se acostumou a me ver somente como um cara da luta livre, o Vavá da Luta Livre...


Prof Vavá e sua esposa e companheira de treinos Isabela

27.  SÓ CASCA ! – Fale um pouco sobre essa época das lutas do vale tudo no Rio de Janeiro, fins de década de 80 e anos 90...

28.  VAVÁ PINHEIRO– Há pouco tempo conversando sobre isso com outras pessoas declarei uma coisa, sem rancor, mas, apenas reconhecendo uma situação de fato: eu fui lutador na época errada, tinha que ser lutador hoje. Não me surpreenderei se outros atletas de minha época disserem o mesmo. Éramos muito, muito discriminados, as famílias de nossas namoradas  eram cismadas com a gente “que futuro esse cara  vai te dar?” ouvi muito isso, hoje é diferente, tem avó de um aluno, o Gabriel, que declarou que se ele não for jogador quer que seja lutador, hoje ouvir isso para mim é uma honra. Hoje temos vários lutadores, cada dia surgem mais e mais livres dos preconceitos do passado.



29.  SÓ CASCA ! – O quê o senhor acha que mudou? A luta continuo a mesma e hoje os próprios pais aceitam e levam os próprios filhos para as academias.

30.  VAVÁ PINHEIRO– Acho que é porque atualmente a luta virou uma coisa mundial. Deram valor depois que foi reconhecido lá fora. Quer dizer, se os gringos aprovaram é porque presta!

Prof Vavá Pinheiro

31.  SÓ CASCA ! – Professor o senhor me fez lembrar de uma coisa, hoje em dia o pessoal fala submission, mas o que é esse tal submission, isso não é a velha luta sem pano, a luta livre com um nome bonito?

32.  VAVÁ PINHEIRO– Na verdade é o seguinte, o pessoal do jiu-jitsu antigamente, não disputava o torneio sem pano, a galera aqui se odiava, luta livre e jiu-jitsu. Aqui dentro todo mundo saia na pancada, mas quando iam lá para fora, para o exterior, disputar torneios todos se uniam. Então o pessoal do jiu-jitsu querendo treinar sem pano criou o submission, mas não com a regra da luta livre e sim com a regra que eles inventaram. Ficou assim porque o pessoal da luta livre não conseguia se organizar como o pessoal do jiu-jitsu para organizar torneios, o resultado disso ficou até hoje, lutadores na luta livre indo participar de torneios de submission , ou seja, luta sem pano com regras do jiu-jitsu, mas que mesmo sem as torções de joelho e cervical é a luta livre pura. É um nome mais bonito, mais comercial.



33.  SÓ CASCA ! – O MMA está ajudando a luta livre?

34.  VAVÁ PINHEIRO– Ajudou, porque hoje é um esporte mundial, não só a luta livre, mas a todas as artes marciais, hoje lutador é uma profissão como qualquer outra, como advogado, médico e etc. e aquilo que nós falamos, como foi aceito lá fora, nós também aceitamos, mania de julgar as coisas aqui no Brasil conforme a vontade dos estrangeiros, tipo, se eles gostam, se eles aprovam, nós também... e o Brasil foi sem sombra de dúvida o grande berço dos lutadores mundiais.



35.  SÓ CASCA ! – Hoje a profissão lutador é reconhecida como qualquer outra, não há, ou pelo menos, é bem menor a discriminação, mas e a remuneração , dá para o atleta viver?

36.  VAVÁ PINHEIRO– é um mercado de trabalho, dá para viver.


o CT está sempre lotado

37.  SÓ CASCA ! – pergunto isso porque a diferença das bolsas do boxe para o MMA é absurda! O lutador de boxe Floyd Mayweather, por exemplo, acho que é meio-ligeiro, ganhou quase U$ 50 milhões de dólares para defender o título mundial de sua categoria contra o mexicano Saul Canelo, em Las Vegas em setembro de 2012 e o que se paga no UFC não chega nem a um décima da cifra, quanto mais nos torneios domésticos no Brasil...

38.  VAVÁ PINHEIRO– Isso acontece não só no MMA, no boxe tem gente aqui no Brasil que sobe num ringue para ganhar R$ 200,00, R$ 300,00 para disputar um título.



39.  SÓ CASCA ! – Mas, então isso tudo não é uma grande ilusão, essa carreira de lutador profissional no Brasil ?

40.  VAVÁ PINHEIRO– Olha, o cara luta hoje nos torneios no Brasil por paixão, aqui não ganha dinheiro com bolsa, só no exterior, a não ser que ele tenha um patrocínio. Hoje você consegue patrocínio, no passado não se conseguia, hoje se consegue, a Equipe Serpente Thai, através do professor Robério, meu faixa preta, organiza um evento na Cidade de Maricá e consegue os patrocínios, este evento se chama Elite Fighting já teve várias edições com ginásio lotado pelo público e graças a Deus consigo patrocínio, mas no passado acho que seria mais difícil, porque contar somente com a renda da bilheteria dos eventos não dá. O Elite Fighting é um evento de MMA, mas terá lutas de Muay Thai, alunos meus faixa preta irão lutar como o Rafael que está comigo há 11 anos. Para você vê, o Rafael levou mais de uma década para chegar a professor, não porque ele não merecesse antes, mas é porque tenho critério, coisa que infelizmente a gente vê que falta muito por aí, há lutadores que em  3 ou 4 anos e já são graduados na preta. Tem federação aí de Muay Thai que está dando faixa preta a troco de dinheiro.



41.  SÓ CASCA ! – Hoje, entre seus alunos, quem são seus destaques aqui na academia ?

42.  VAVÁ PINHEIRO– Luta de chão, Rafael Costa e o Filipe Pereira no boxe, alunos leais, aplicados e de muito talento.



43.  SÓ CASCA ! – Como é organizada a equipe Serpente Thai?

44.  VAVÁ PINHEIRO– Eu dava aula em uma academia chamada Ginga Brasil no catete e na época a Naja do mestre Narane havia acabado, havia todo um pessoal mais novo que estava meio sem ter onde treinar, aí eu propus a outros faixas preta que conhecia bons como mestre PH e mestre Wilson, por exemplo, que formássemos uma nova equipe, nascia ali a Serpente Thai, mestre PH e eu somos os responsáveis.



45.  SÓ CASCA ! – Fez parte deste grupo também o prof. Molina?

46.  VAVÁ PINHEIRO– Não deste grupo que menciono, na época da criação de minha Serpente Thai, ele já era falecido. Porém antes disso,  conheci-o em vida, aliás, posso dizer, tive o imenso prazer de conhecê-lo, grande lutador, homem íntegro e querido por todos. Sua lembrança é boa, temos sempre que lembrar dos grandes guerreiros, especialmente,  aqueles que não estão mais entre nós, ao menos fisicamente...

Prof Vavá Pinheiro, outro Casca ! genuíno
47.  SÓ CASCA ! – Conte como está sendo esta nova fase agora de sua vida com a inauguração do Centro de Treinamento da Equipe Serpente Thai, com um espaço seu. Não mais aquele tormento que ainda sofrem as vezes muitos professores de alugar espaço dentro de academias de ginástica...

48.  VAVÁ PINHEIRO– É o seguinte, história de muitos professores que buscam oportunidades e depois de muito trabalho conseguem, não posso esquecer também da ajuda indispensável de minha esposa Isabela que me ajuda muito. Tive experiências que não deram certo em outras academias e aqui hoje é o grande Centro de Treinamento da Equipe Serpente Thai. Eu acho que poderíamos fazer no Brasil o que há nos EUA ceder espaço nas escolas  para prática de artes marciais, isso seria bom para todos. Seria bom para os professores que buscam espaço  para praticar e ensinar; seria bom também para crianças e adolescentes poderem através das artes marciais ter uma vida saudável e autocontrole. Muitas crianças não podem pagar aulas de artes marciais. Aqui mesmo eu mal cheguei, mal me instalei neste casarão e já dou bolsas. Há um menino que desde o início das atividades da academia aqui na Rua Pedro Américo fica ali na porta vendo, assistindo aos treinos, todos os dias, até que um dia eu conversei com ele e dei a bolsa, mas em contrapartida eu exijo muito comportamento e estudo no colégio.



49.  SÓ CASCA ! – quais atividades que existem aqui e informações para quem quiser fazer uma boa aula de artes maricias?

50.  VAVÁ PINHEIRO– Aqui temos submission, muay thai, boxe e pretendo em breve por jiu-jitsu e taekwondo, Nosso novo Centro de Treinamento Serpente Thai fica na Rua Pedro Américo, 425, Catete, Rio de Janeiro – RJ e os telefones: 3596-0882 e 93866786  https://www.facebook.com/mestrevava


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